(mini) revista de imprensa

Existe um muro de silêncio em torno dos crimes de ódio contra as pessoas LGBT. Mas infelizmente eles existem. Ocasionalmente os mais graves chegam aos jornais.

2003 – Agressões a um casal de lésbicas em Cascais
Em Agosto, duas mulheres, Mónica Godinho e Cláudia Domingues, alegaram ter sido agredidas, esbofeteadas e pontapeadas por agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) na esquadra de Cascais, perto de Lisboa, onde tinham ido após um acidente de automóvel. Cláudia Domingues terá sido alegadamente empurrada, fazendo com que a sua cabeça batesse no chão. Ambas alegaram ter sido abusadas verbalmente devido à sua orientação sexual. As duas mulheres, que foram acusadas de agressão, formalizaram uma queixa. Uma investigação criminal estava em curso no final do ano.
Fonte: Amnesty International Report 2003, http://web.amnesty.org/report2003/Prt-summary-eng (2007/Março); tradução nossa.

2005 – Agressões em Viseu
“Os paneleiros ‘hádem’ morrer todos”
Diário de Notícias, 26 de Março de 2005
Maria admite que ao princípio “estava contra”, e só ia para acompanhar o namorado. “Mas quando entrei nas casas de banho e vi os preservativos, os lenços de papel, até esperma no chão… Fiquei revoltada. Podem-se apanhar doenças, ali. Há famílias que se servem daquelas casas de banho… E ouvi dizer que há pessoas com sida que lá vão.” Dir-se-ia que para esta rapariga de 26 anos, como para os amigos, a sida se transmite por contágio visual. Ou, diz um deles, “pelo suor”.
Trabalhadores do sector primário e secundário sem mais que a escola de lei, estes rapazes e raparigas de feições espessas, rurais, exibem sem filtro as convicções. Para eles, o nome certo da coisa é abominação. “Deus fez a mulher para o homem.” Num sorriso envergonhado, os olhos sempre suspensos no namorado, Maria repete a catequese. Se alguma vez lhe passou pela cabeça ter um filho homossexual? Abana a cabeça, confusa. “Se sair ao pai, não é de certeza.” À queima-roupa, o prospectivo pai dispara “Eu sou sincero: mais valia afogá-lo logo no rio.”
O amor que não ousa dizer o nome.
Foi numa noite de Inverno, no fim de 2004. O carro estava num ermo à saída da cidade, quieto, luzes apagadas. Um cerco súbito de faróis no máximo e motores rugidos estremece os ocupantes, vultos perscrutam o interior do carro. Depois, tão depressa como chegaram, desaparecem. Perplexos, a mulher e o homem levam tempo a remediar o susto. O romance clandestino ia aca- bando mal. Mas não era esse tipo de clandestinidade que os outros procuravam.
É do “amor que não ousa dizer o seu nome”, como escreveu há mais de um século Oscar Wilde, que eles andam à procura. Mais concretamente, dos engates ou encontros sexuais de ocasião entre homens, como os que há muito ocorrem numa zona de descanso no IP5, ao pé de Viseu. A mesma que, numa notícia publicada em Outubro num diário nacional, foi referida como uma área “de prostituição masculina” em relação à qual o presidente da câmara Fernando Ruas (PSD) manifestava a intenção de solicitar um reforço de policiamento (intenção que, diz agora, nunca concretizou, já que tem “total tolerância por essa inclinação sexual” e condena “aquilo que vem a lume na Imprensa como perseguição a homossexuais”). Uma zona que Carlos, 39 anos (o nome, como quase todos os mencionados nesta reportagem, foi alterado), frequentava. Até que, numa bela noite de Outono, “estava no carro com um amigo quando fomos rodeados por uma série de automóveis, que nos barraram a saída”.
contas a ajustar.
Vultos masculinos cercam-nos, enquanto nos veículos, nota Carlos, “ficam umas moças, a observar”. Sem escapatória, tranca as portas. “Ali estávamos, muito quietos, mortos de medo, sem perceber nada.” Os homens, entre os 20 e os 30 anos, batem no carro, gritam insultos. “Era paneleiros, filhos da puta, eu sei lá. Urinaram-me o automóvel todo, riscaram-no… Ameaçavam com pancada e repetiam ‘os paneleiros hádem morrer todos, havemos de correr com eles daqui para fora’.” Ao longo dos 45 minutos que, garante , o episódio durou, ligou para a GNR: “Disse que havia indivíduos a ameaçar-me e a danificar-me o carro, e eles nada.”

Depois, continua Carlos, “deixaram-nos sair. Dirigi-me para o posto da guarda, onde me receberam muito bem, dizendo que havia muita gente a queixar-se do mesmo”. Mas, garante, aconselharam-no a “esperar” antes de avançar com a queixa, porque “tinha meio ano para decidir se queria ir com aquilo para a frente”. Retrospectivamente, acha “estranho”. Mas terá seguido o conselho, como quando, de acordo com o seu relato, foi abordado pelos mesmos indivíduos no centro de Viseu num sábado de Janeiro. “Diziam ‘Foste fazer queixa, temos contas a ajustar.’ Ofereceram-me porrada, e eu ala para a esquadra da PSP, com eles atrás.” Mais uma vez, “suspendeu” a queixa. “Ainda estou a pensar se devo ou não avançar, eles são pessoas perigosas, de muitas represálias.”
querem que eu morra? Relatos como o de Carlos não são difíceis de obter, em Viseu. E há até histórias de horror um homossexual teria sido queimado com pontas de cigarro, a outro teriam apontado uma pistola à cabeça… Mas estas, que empalidecem episódios como o de Carlos, não são assumidas por ninguém. Porque são falsas ou porque a vergonha e o medo falam mais alto?
Certo é que queixas “efetivas” contra um grupo com as características do descrito só há quatro, todas na PSP. Na GNR, que tem a intendência da zona de descanso do IP5 onde a maioria dos casos se terá dado, nem uma para amostra. Aliás, o tenente Ferreira, comandante do posto, garante que nunca o grupo de indivíduos em causa foi, sequer, identificado. Isto apesar de vários testemunhos – incluindo os dos membros do grupo – certificarem que as visitas à zona eram quase diárias. “Que quer que lhe diga”, diz o tenente. “É fácil reconhecer as nossas viaturas, as pessoas podem fugir…” Quanto ao “conselho” alegadamente dado a Carlos, fica interdito “Isso é muito estranho.” Já a PSP terá logrado, por duas vezes, identificar os alegados agressores. Uma das queixas, relativa a uma ocorrência de Dezembro, terá já, de acordo com o comissário Lopes Ferreira, “seguido para o tribunal”. As outras três, apresentadas pela mesma pessoa, estão ainda em investigação.
Quem as apresentou está agora impedido de falar devido ao segredo de justiça. Mas antes, “por ver que a polícia não ligava nenhuma”, decidiu “chamar a SIC”. Na reportagem, emitida em meados de Fevereiro, após dois dos alegados ataques de que foi alvo, Manuel, de 30 anos, narrava como, na noite de 11 para 12 daquele mês, tendo estacionado o seu carro no centro de Viseu, junto ao tribunal, se viu, com dois amigos que transportava, “cercado de automóveis, que me trancaram a saída”. Seguem-se as pancadas no carro, ameaças, insultos. “Eram 20 ou 30 à nossa volta. Liguei para a polícia duas vezes. À segunda, meia hora depois da primeira, estava histérico. Só gritava ‘Querem que eu morra?’” Tempos depois, entre as quatro paredes de casa, num jantar de amigos, Manuel, em encarnação perfeita do Nelo de Herman José, faz do drama uma comédia hilariante: “Um dos meus amigos só se persignava. ‘É hoje! De hoje não passamos!”
Só quando Manuel tem a ideia de começar a anotar as matrículas das viaturas dos atacantes estes se afastam e o deixam sair dali. Vai direito à esquadra. “E os outros sempre atrás de mim. Chego, apito que nem um louco, e nem um polícia aparece. Vou lá eu e que vejo? Três agentes todos descansados a ler o jornal. ‘Què que foi?’, dizem eles.” Envergonhado de ter de se assumir como homossexual, Manuel hesita. Perguntaram-me três vezes o que me tinham chamado… E eu, muito baixo paneleiro.” Sentindo-se mal, pede para ser escoltado ao hospital, já que os agressores continuam lá fora. “Os polícias saíram comigo e nem se deram ao trabalho de os identificar.”
o “pretenso gang”. Só no terceiro encontro de Manuel com o grupo, já após a reportagem televisiva, a polícia responde prontamente ao seu pedido de socorro, identificando cinco homens e duas mulheres. Mas antes, narra Manuel, é mais uma vez ameaçado “Ai que reportagem tão linda na SIC! É hoje que vais morrer.”
A visibilidade do caso determinou protestos vários, sobretudo de associações ligadas à defesa dos direitos dos homossexuais como a ILGA Portugal e a Opus Gay. A 22 de Março, a associação Olho Vivo e as Panteras Rosa/Frente de Combate à Homofobia deram uma conferência de imprensa em Viseu, acusando as autoridades locais de não terem feito tudo ao seu alcance para debelar os atentados contra os homossexuais. Uma frase do comandante da PSP local – “estas situações acontecem a quem as procura” – é mote para a suspeição de uma certa bonomia em relação aos agressores.
Agressores cuja existência parece, de resto, não ser inteiramente admitida pelas polícias. A 23 de Março, a Lusa citava o mesmo comandante, que garantia “não estar confirmada, para já, a existência de um gangue organizado de 30 pessoas”. E o governador civil, em comunicado do mesmo dia, falava de “um pretenso gang que andaria nos últimos tempos a perseguir cidadãos de determinada inclinação sexual”. E prossegue “Em Viseu, vive-se, felizmente, um clima de segurança que permite aos cidadãos em geral viverem de forma tranquila e com normalidade, salvo raríssimos casos pontuais de reduzida dimensão”.
Seja lá o que for um gang (ou gangue), e seja lá o que for o conceito de organização implícito na ideia, esta dezena de viseenses que às 11 horas da muito fria noite de 22 de Março se encontra com o DN numa zona deserta da cidade fez questão de surgir assim, “em grupo” “Ou falamos todos ou não fala nenhum.” Mesmo se são menos de dez e garantem que “são muitos, às vezes mais de 40″, assumem-se como um colectivo que age com um objectivo comum: “Limpar esta porcaria” . A “porcaria” são “os paneleiros”, que “metem nojo”. “Haviam de morrer todos”, repetem. “Um homem que tem sexo com outro não merece viver.”
Não obstante, certificam que “nunca ameaçaram ninguém de morte, ao contrário do que esse mentiroso disse à SIC”, e ” não terem nada contra os homossexuais”. Só querem “acabar com o nojo do IP5″, onde um deles terá sido assediado. “Fui à casa de banho, vem um gajo e mete-me a mão no coiso. Levou logo um malhão.” Virá daí o espírito da milícia, alimentado em conversas de café. “Começámos a ir lá todos os dias.”
em vez da polícia.
Nascia assim, há meio ano, uma peculiar forma de diversão. A “brigada anti-homossexual”, como a crisma o mais brincalhão, cujo pai surge a meio da conversa e fica a assistir, encantado. “Claro que sei o que o meu filho faz.” Não é excepção “As nossas famílias sabem e concordam. Só dizem para termos cuidado.” A crer no grupo, não são as únicas forças vivas da cidade a dar-lhes a bênção. Certos de que a maioria do povo de Viseu está do seu lado, insistem ter também o apoio das polícias. “Estão fartos de saber o que andamos a fazer. Fomos identificados muitas vezes, já nos revistaram os carros… Alguns até dizem que como eles não podem fazer nada, fazemos nós.” Convicto do mandato, o namorado de Maria faz manifesto: “Temos o direito e o poder de agir em vez da polícia.” Um dos camaradas ri: “Somos tantos que eles nem sabem… Os polícias e nós.”
Este “eles” inclui o homem da queixa mediática, as suas testemunhas e quem os apoiar. Mesmo se aqui todos desconsideram as consequências do processo. “Não vai dar nada. É a nossa palavra contra a deles. E se ele sabe mentir, nós também sabemos.” O mal, lamentam, “foi não lhe darmos umas porradas”. Como fazem a todos os que “resistem”. “Se se viram a nós, levam”. Enlevados na epopeia, arriscam confidências. A história preferida, pela sua moral, é a do homem de meia-idade “que fizemos despir-se todo e andar nu, de um lado para o outro, no parque do IP5″. No fim da lição, quando lhe entregaram a roupa, “ele agradeceu. Disse que tinha mulher e filhos e que aquilo que ia ali fazer era uma vergonha.” Os olhos do justiceiro brilham mais, em triunfo e comoção. “Disse que devíamos fazer o mesmo a todos. Vê?”
Fernanda Câncio / Paula Cardoso Almeida
Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=613586

2006 – Agressão no Chiado
Estava eu e um amigo a sair dos armazéns do Chiado, ali mesmo na Rua Garrett, quando um Skin (vindo de um grupo maior que estava no interior do centro e que não nos apercebemos que nos tinham seguido), nos aborda. Faz chocar a cabeça do meu amigo contra a minha e, perante a minha estupefacção, dá-me um soco na cara, atira-me um objecto que não identifiquei contra a cabeça e dá-me uma patada. Isto enquanto outros dois agridem o meu amigo. Chamando-nos paneleiros, claro. Em pleno fim de tarde de Domingo (essas 19:40), com o vigilante dos armazéns a ver e toda a gente da rua impávida e serena!
(…) Quando chegámos com a polícia, claro que já nenhum agressor se encontrava presente. Sabemos que eles estão todos filmados pelas câmaras de vigilância, mas para se ter acesso às gravações tivemos de apresentar queixa-crime.
Agora, como ninguém se mexeu e não tendo agente de autoridade na altura presente, não houve identificação dos agressores ao vivo. As gravações duvido que sirvam de prova em tribunal mesmo que toda a gente os veja a agredir-nos. É a linda justiça que temos. Provavelmente tudo ficará arquivado e nós seremos mais um número invisível nas estatísticas. Isto tudo, enquanto se continua a negar que existam crimes de ódio em Portugal, e que a homofobia não é relevante.
Fonte: http://musicologo.blogspot.com/2006_09_01_musicologo_archive.html

2007
Lisboa, Parque de estacionamento da Estação Fluvial de Belém, 20 de Janeiro de 2007, 1:00

Estaciono o meu carro ao lado do de um amigo de longa data e começamos a trocar algumas palavras, cada um no seu veículo. O local estava praticamente deserto, somente nós e mais três carros ligeiramente afastados e juntos ao rio, na zona habitual aonde os casais de namorados param para, além de outras coisas, contemplar a bela vista (ponte 25 de Abril e parte da margem sul) que dali se alcança.
Não passaram muitos minutos de conversa até aparecer-nos à frente uma carrinha da polícia cheia de elementos da PSP. Eram 8 ou 9, o tempo que demoraram a sair da carrinha e se distribuíram e circundaram o meu carro e o do meu amigo foi tão curto, que nem os consegui contar correctamente. Apesar de bastante assustado com tal aparato digno de qualquer filme de acção hollywoodesco, ainda consegui responder-lhes às “Boas Noites” que dois deles me deram. Foi-me pedida toda a documentação, tal como tive que mostrar o triângulo e coletes obrigatórios. Só não me foi solicitado o “teste do balão”, para completar a rotina de qualquer operação STOP. Enquanto estava a dar assistência aqueles dois agentes, outros dois circundavam o meu carro de lanternas na mão, observando o que tinha no interior do meu automóvel. Ao meu amigo sucedeu-lhe exactamente o mesmo. No fim perguntaram-me: “O Sr. Ricardo (nome que o senhor polícia retirou da minha carta de condução ou do meu B.I.; este é obviamente fictício) não tem tido problemas com a polícia?”, ao qual eu respondi negativamente no segundo seguinte. Nem uma pequena multa de estacionamento para apresentar e sujar o meu cadastro que orgulhosamente o vou mantendo limpo até hoje. Após esta estranha pergunta, finalmente os polícias regressaram à carrinha, sem qualquer explicação, sem mais perguntas ou comentários com pouco sentido.
Se eu tivesse nascido ontem, pensaria que esta operação policial, apesar de ter uns contornos esquisitos, até se poderia considerar normal. Mas como já nasci há mais de 30 anos atrás, e sei perfeitamente distinguir entre o que é uma operação policial de rotina e uma operação de intimidação, tenho perfeita consciência dos propósitos de todo aquele aparato e a PSP é competente em deixar isso bem claro. Tal como, eu e a PSP, sabemos que aquele é um local aonde há (para além da tal zona dos “namoricos” para os casais heterossexuais), frequentemente à noite, encontros fortuitos entre homens e que há sexo dentro dos carros. Esta prática é internacionalmente conhecida por “cruising”.
Pelo que deu para ver (ou melhor, não ver, já que os vidros estavam praticamente todos embaciados) nos restantes carros que se encontravam naquele parque de estacionamento, naquela noite, mesmo sem a presença de homo(bi)ssexuais, não deixava de haver sexo. Como a PSP passou (e passa nas habituais rondas que faz por aquela zona), literalmente, indiferente a esses casos só me permite chegar a algumas conclusões:

1) Se o objectivo da PSP fosse o de averiguar qualquer situação de atentado ao pudor, naquela noite e naquele local, provavelmente teria mais por onde se virar do que propriamente para junto de um local bem iluminado e onde se encontravam duas pessoas, cada uma no seu carro, a conversar. A não ser que, para a PSP, tenha havido qualquer alteração de valores e o pudor tenha deixado de se encontrar nos actos em si, mas em quem os poderá praticar.
2) Para a PSP, a ameaça de haver um atentado à integridade pública é menor num carro com um casal heterossexual do que noutro com um, supostamente, homossexual lá dentro. É somente a “possível” orientação sexual do “suspeito” que faz toda a diferença.
3) Com este tipo de atitudes incoerentes e a roçar o abuso de autoridade, a PSP, demonstra claramente a sua homofobia.
Fonte: Testemunho recebido por e-mail

Novembro de 2009 – Grupo organizado é punido por atacar homossexuais
Gangue atacava homossexuais nas gasolineiras
NUNO MIGUEL MAIA
Pelo menos sete homens com tendência homossexual à procura de convívio sobretudo em gasolineiras, no Grande Porto, tornaram-se presas fáceis para um grupo de três assaltantes. As vítimas acabaram agredidas, roubadas e forçadas a actos sexuais.
Entre os agressores, submetidos agora a julgamento no Tribunal de Gaia, estão dois indivíduos que, à data dos factos (entre Junho e Setembro do ano passado), estavam sob liberdade condicional. Um deles, de 34 anos, foi, até, condenado a 10 anos de prisão, por roubo.
Os locais preferenciais de escolha das pessoas a atacar eram, na maior parte dos sete casos detectados pela Polícia Judiciária (PJ) do Porto, os postos de abastecimento da Repsol, em Gaia, e da Galp, em Águas Santas, na Maia.
Homens sozinhos que aparentavam procurar companhia masculina era abordados por um dos elementos do grupo, que também se apresentava solitário. Após uma breve conversa, eram convidados para convívio sexual, em local mais recatado.
As vítimas acediam e, nos seus carros ou na viatura do assaltante, eram levadas para locais ermos, onde apareciam outros dois indivíduos que, sob ameaça de facas, manietavam as vítimas.
Além de lhes levarem dinheiro, telemóveis e objectos em ouro, ainda lhes roubaram cartões bancários. Depois, a parte mais violenta: as vítimas eram forçadas, à pancada, a revelar os respectivos códigos secretos dos cartões.
Obrigado a fazer sexo oral
Enquanto eram efectuados levantamentos por um dos elementos do gangue, os ofendidos ficavam sequestrados, em alguns casos sem calças. Inclusive, um dos ofendidos contou à PJ ter sido obrigado a fazer sexo oral a um dos assaltantes. Por fim, eram abandonados na rua.
Um dos queixosos deslocou-se da cidade da Guarda até à Maia, tendo sido assediado no posto de abastecimento da Galp de Águas Santas.
Para a detecção dos suspeitos foram fulcrais as gravações das imagens de videovigilância em gasolineiras onde ocorreram abordagens. Foi também identificada desse modo uma das viaturas utilizadas nos crimes.
Identificados os suspeitos, a PJ fez buscas nas suas casas, em Gaia, onde foram encontrados objectos roubados.
Os assaltantes também vieram a ser reconhecidos por várias das vítimas. Dos três, um deles está em prisão preventiva; os outros dois estão sujeitos a apresentações diárias às autoridades.
Fonte: Jornal de Notícias
Retirado de http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1678791

Junho de 2010 – Violência doméstica com transgéneros
Travesti esfaqueado alerta para crime dentro da sua casa
carlos rui  abreu*
Um homem, com cerca de 43 anos, foi encontrado, ontem, quinta-feira, morto à facada na casa onde residia com um travesti. Este, de 19 anos, também foi esfaqueado e está internado, no Hospital de Guimarães, em estado crítico. As causas do crime ainda não foram esclarecidas.
Os contornos que envolvem o esfaqueamento de um homem, de 43 anos, durante a tarde de ontem, em Guimarães, estão a ser investigados pela Polícia Judiciária.
Os moradores da Travessa de S. Mamede, junto ao lugar de Monte Largo, na freguesia de Azurém, foram surpreendidos, ao final da tarde, pela presença de duas viaturas do INEM e elementos da PSP.
Um homem, de nome Carlos, conhecido na zona pela alcunha de “Fedinha”, havia sido esfaqueado dentro de casa e um outro estava a ser transportado para o hospital. Esta foi a primeira dúvida dos moradores uma vez que este último homem, de 19 anos, era tido pela vizinhança por mulher, vestindo-se e comportando como um ser do sexo feminino.
“Só quando o vi a entrar na ambulância em tronco nu é que percebi que era um homem, porque não tinha mamas”, referiu um dos vizinhos. Inclusive, segundo apuramos, até a própria vizinha, do mesmo prédio, não se apercebera de que era um homem. Foi esta vizinha que, alertada pelo travesti aos gritos, cerca das 18 horas, deu o alerta às autoridades.
No segundo andar, junto da entrada para o quarto, encontraram Carlos, esvaído em sangue, e com marcas profundas de esfaqueamento. Segundo apurou o JN, junto do corpo estavam também muitos cabelos, sinal de que terá sido travada uma luta, e havia resquícios de utensílios usados para o consumo de droga. Aliás, o consumo de droga por parte da vítima é comprovado pelos vizinhos. “Isto aqui era tranquilo mas ficou muito esquisito desde que vieram para cá estes dois. Vinham cá pessoas por causa da droga”, contou uma vizinha que se cruzava com a vítima na rua diariamente.
Os mais próximos contam, igualmente, que o apartamento terá sido emprestado a estes dois homens há cerca de um mês.
A própria PSP já havia sido chamada recentemente ao local por causa de distúrbios causados naquela entrada.
No local, as versões sucediam-se e havia quem dissesse que o crime teria acontecido ao fim da manhã e que só ao final da tarde, quando o travesti saiu do desmaio, foi alertar a vizinha do andar de baixo. Contudo, esta versão foi logo afastada pelo testemunho, dado ao JN, por outro dos moradores na travessa que garantiu ter visto a vítima mortal a tomar café num estabelecimento próximo após o almoço de ontem. “Eu estava no café e ele entrou lá, por isso, não podia estar morto desde manhã”, confirmou.
A Polícia Judiciária de Braga esteve no local e continua a investigar os contornos do crime. Não se sabe ainda se houve envolvimento de terceiros ou se o desaguisado se deu apenas ente os dois homens que se encontravam no apartamento. À hora de fecho desta edição, a PJ ainda não havia efectuado qualquer detenção.
Segundo fonte hospitalar, o jovem de 19 anos entrou na Unidade de Guimarães do Centro Hospitalar do Alto Ave vestido de mulher e maquilhado. Tinha sido atingido na cabeça por um objecto de vidro, que se pensa ser de uma garrafa. Foi ainda atingido com duas facadas nas costas, sendo que um dos ferimentos é profundo. O seu estado de saúde inspira cuidados.
À hora do fecho desta edição estava internado no serviço de cirurgia daquela unidade hospitalar.
* Com António Soares e Emília Monteiro
Fonte: Jornal de Notícias
Retirado de:

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1590516

Julho de 2010 – Matosinhos
Assaltantes de gays em domiciliária

31 de Julho de 2010
Vão aguardar julgamento em prisão domiciliária dois dos três homens detidos pela PJ do Porto por terem sequestrado e roubado cinco homens, em Matosinhos, que atraíram para encontros sexuais, entre Dezembro de 2009 e Janeiro deste ano. Um terceiro arguido foi libertado e está sujeito a apresentações diárias na PSP.
O trio, com idades entre os 20 e os 28 anos, já tinha sido detido pela Judiciária de Braga pelo mesmo crime, sendo que fizeram três vítimas: duas em Braga e uma em Esposende.
Nos roubos em Matosinhos, um dos arguidos usava a internet para aliciar as vítimas, que conhecia em sites de encontros gay. A primeira saída era marcada num shopping em Matosinhos, de onde seguiam para um local ermo. Aí, apareciam os dois comparsas, que mantinham a vítima sequestrada enquanto um deles usava os cartões multibanco para levantar todo o dinheiro possível.
Fonte: Correio da Manhã
Retirado de :

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/assaltantes-de-gays-em-domiciliaria

2010 – Algarve
Turista violado junto a bar gay

Jovem inglês, com cerca de 30 anos, conheceu dois homens que o terão seguido a pé e agarrado num recanto escondido da rua dos bares da Oura.
Depois de uma noite animada, Michael (nome fictício) despediu-se dos dois homens que conhecera na Pride Disco, uma discoteca habitualmente frequentada por gays na rua de bares da Oura, em Albufeira. Mas aqueles seguiram-no pela rua – e o turista britânico, cerca de 30 anos, acabou violado na madrugada de ontem, pouco antes das 04h00, pelos dois homens.
Ao que o CM apurou, junto de fontes que estiveram no local, a vítima foi agarrada perto da entrada da Pride Disco, no primeiro andar do Aldeamento Vilanova. Uma vez imobilizado pelos agressores, o turista britânico terá sido penetrado pelos dois violadores.
O crime, que já está a ser investigado pela Polícia Judiciária, ocorreu pouco antes das 04h00, quando o estabelecimento nocturno onde a vítima de violação tinha estado e onde conhecera os dois suspeitos já estava encerrado.
“O local é pouco iluminado àquela hora e não existem ali câmaras de videovigilância. Além disso, a violação terá sido consumada num recanto escondido de acesso a umas casas de banho”, referiram moradores na zona. A vítima recebeu tratamento hospitalar.
“ELE ESTAVA DORIDO E MAL CAMINHAVA”
Em consequência da violação anal, o turista inglês ficou “muito dorido e magoado”. De acordo com testemunhas que falaram com ele, horas após o incidente, Michael “caminhava com extrema dificuldade e todo curvado”. Os dois agressores não o assaltaram nem lhe bateram, apurou ainda o CM.
O cidadão britânico apresentou queixa do crime de que foi vítima no posto da GNR de Albufeira, pelas 09h30 de ontem. Contudo, dada a natureza do crime, foi alertada de imediato a Polícia Judiciária de Faro, a quem compete agora conduzir a investigação.
Fonte: Correio da Manhã
Retirado de:

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/turista-violado-junto-a-bar-gay215931730

Setembro de 2010

Suspeitas de engate falhado
A Judiciária quer conhecer em pormenor a extensão das lesões sofridas por Michael (nome fictício), o inglês de 30 anos que apresentou queixa contra dois homens por o terem violado junto a uma discoteca gay na rua dos bares da zona da Oura, em Albufeira, na madrugada de sábado. Isto porque os investigadores não excluem a hipótese de ter havido um consentimento inicial do britânico – num cenário de engate que descambou em violência sexual. As respostas para este caso podem estar nos exames médico-legais, que só deverão ser realizados esta semana.
Por:Ana Palma

“Neste momento há muita coisa em aberto” no que toca ao apuramento das circunstâncias em que o crime terá ocorrido, conforme o CM apurou ontem junto de fontes próximas da investigação. Em toda a região algarvia não há memória de uma situação idêntica.
A vítima, recorde-se, garantiu às autoridades ter sido agarrada por dois homens e violada por ambos, junto à Pride Disco, que na altura – cerca das 04h00 de anteontem – já se encontrava encerrada. Isto depois de ter conhecido os dois homens dentro da discoteca.
A dupla violação terá ocorrido em plena rua, num recanto que dá acesso a umas casas de banho. Trata-se de um local absolutamente discreto, até porque o referido estabelecimento se situa no primeiro andar do Aldeamento Vilanova e onde, àquela hora, não passa ninguém. Além disso, ao que o CM conseguiu apurar, no local não existem câmaras de video-vigilância que possam comprovar o que efectivamente sucedeu.
Michael apresentou queixa na GNR de Albufeira, pelas 9h30 de anteontem. Testemunhas que o viram nessa manhã referiram que “ele estava dorido e caminhava com muita dificuldade”, o que é compatível com as agressões sexuais de que garante ter sido alvo. Entretanto, a PJ tenta identificar e localizar os suspeitos.
O britânico divide a sua vida entre Albufeira e o país de origem. E muitos seguros de viagem de cidadãos britânicos cobrem situações em que sejam vítimas de crimes sexuais
Fonte: Correio da Manhã
Retirado de:

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/suspeitas-de-engate-falhado

18 de Janeiro de 2011

Trumps. A lenda do Gay Artur ou as coincidências de um assassinato

por Augusto Freitas de Sousa

Tal como no caso de Carlos Castro, o homicida também não se assumia como homosexual. Crimes públicos em vidas mais ou menos discretas
“Quero antes de mais esclarecer que não sou homossexual, que nunca tive qualquer tipo de experiência a esse nível”, afirmou à Polícia Judiciária (PJ) César Monteiro, o autor confesso do assassínio de Artur Esteves, antigo proprietário das discotecas Trumps e Bric A Brac. Homossexual assumido, Esteves era uma das figuras mais conhecidas da noite Gay de Lisboa. Carlos Castro e o actual porta-voz e amigo da família, Cláudio Montez, estiveram entre aqueles que a PJ quis ouvir depois da sua morte brutal em Setembro de 2004. Morava em pleno centro de Lisboa num andar descrito como dos mais luxuosos, rodeado de artefactos e mobiliários de grande opulência. Tinha ainda uma moradia no Meco. Havia quem o conhecesse por Gay Artur, entre a brincadeira e o sarcasmo da comparação real.
O autor do crime, César Monteiro, garantiu que agrediu o empresário na sequência de tentativas de aliciamento sexual. Um argumento que não convenceu os investigadores, uma vez que César saberia de antemão que a pessoa que conheceu através de um “chat” televisivo e com quem acedeu encontrar-se por mais do que uma vez, era homossexual e que tentaria uma relação com ele. A questão, para a PJ, foi o dinheiro que Artur Esteves lhe pagaria para manter relações sexuais. E nunca a reacção à tentativa de um abuso sexual ou uma resistência violenta por o estarem a rotular como homossexual.
Ou seja, para os inspectores da PJ que investigaram o caso, o verdadeiro problema foi Artur Esteves não ter adiantado a César Monteiro o dinheiro que ele queria antes de uma relação sexual em que a vítima estava interessada e que o criminoso já esperava.
Esta conclusão da PJ levou a que o assunto fosse tratado como outros conhecidos das autoridades e que estão associados a um tipo de actuação com um perfil específico: casos em que os homossexuais são agredidos, ou mortos, por homossexuais activos que a polícia designa, na gíria, por “arrebentas”.
Condenação César Monteiro viria a ser condenado a 11 anos de cadeia – numa altura em que a moldura penal se situava entre os oito e 16 anos de cadeia – pelo juiz Fernando Ventura. O tribunal provou que César precisava de dinheiro e que Artur procurava encontros sexuais. Porém, não ficou provado que houvesse compra de favores sexuais.
A Polícia Judiciária que investigou e resolveu o caso em Setembro de 2004, chegou à conclusão de que César Monteiro conheceu Artur Esteves através de um serviço de mensagens (“chat”) de uma televisão. Em Agosto de 2004 encontrou-se com ele no centro comercial Fonte Nova em Benfica, Lisboa e, uns dias mais tarde, na casa de Artur na Rua D. João V, também em Lisboa. A terceira vez que César esteve com Artur foi na residência do empresário no dia do crime, a 15 de Setembro de 2004.
Um dia depois, o porteiro do prédio de Artur, ao ver marcas de sangue na entrada do edifício – e sabendo das tendências homossexuais do vizinho que, por vezes, levava para casa pessoas que mal conhecia -, decidiu abrir a porta da casa e acabou por descobrir o corpo numa sala, deitado no chão. Numa primeira análise ao local do crime, peritos e agentes da PJ perceberam que a roupa estava puxada para baixo – camisa e calças – de forma a impedirem o movimento dos membros. No sofá, duas almofadas com sangue, uma terrina de porcelana partida junto ao corpo e sangue em vários locais da casa. Era visível um golpe na nuca, o nariz com uma hemorragia e escoriações nas pernas. Faltavam documentos, um telemóvel, um guarda jóias em prata e relógios. Todavia, o roubo foi imediatamente posto de parte como eventual móbil do crime, uma vez que havia inúmeras obras de arte, no valor de milhares de euros, na casa de Artur Esteves.
O primeiro passo foi a recolha de testemunhos, sobretudo de amigos, que confirmaram que, apesar de Artur ter um namorado certo, os engates de ocasião eram frequentes. Rapidamente a PJ percebeu que o sangue encontrado em vários locais da casa pertencia a César Monteiro. O assassino percebeu que a polícia estava no seu encalço e marcou um encontro para se entregar.

Retirado de: http://www.ionline.pt/conteudo/99023-trumps-lenda-do-gay-artur-ou-as-coincidencias-um-assassinato

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